Inquietações


























 
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'DESENHOS DE PEDRO DOMINGUEZ" Todos os desenhos deste blog foram realizados com o programa PAINTBRUSH. O autor dos desenhos e textos encontra-se a disposição em: ceciliapedro@rionet.com.br



























Arte nas mãos
 
Quarta-feira, Novembro 10, 2004  
Pedro nunca para, nem quando se tem certeza de seu fim.

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11:54 PM

Quinta-feira, Julho 08, 2004  



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1:55 PM

Quinta-feira, Junho 24, 2004  


Orfeo foi despedaçado e sua cabeça lançada no rio para ser encontrada mais tarde por um pescador.A esse pescador referencia meu poema

'OS PEIXES IMAGINARIOS'

O pescador enquanto
pesca pensa
Cata do abismo
espera o devaneio
Sonha um peixe
fixando circulos
imensos crescendo
no misterio desatado

Sem querer
pesca o desenterro
e a evocação da infância
Sorrindo aos círculos
De amor e morte
A convergir no espelho.

Pedro Dominguez

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10:17 AM

Sexta-feira, Junho 18, 2004  

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1:05 PM

Quarta-feira, Junho 16, 2004  
Novamente a linguagem do blog a me expressar,a me seduzir.Tentação,
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8:07 PM

Domingo, Junho 06, 2004  

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6:14 PM

Terça-feira, Junho 01, 2004  

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1:26 PM

Sexta-feira, Maio 14, 2004  

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1:33 PM

 
Sonolento e surpreso encontrei de supetão o poema. Era lançado ao ar e era orvalho irídio e eu a ouvir era um inseto na parede, sem ação. Rígido frente ao insólito espaço do poema sem nome e sem dono.

Porque a construção sonora dos versos gritados florescia imensa, sussurrante, limpa, sinuosa, caindo em meu peito a me chamar com o poema abraço, o poema igarapé a balançar no rio escuro e perfumoso, onde a voz da mulher era a luz das pétalas, a luz dos dedos acariciantes que modelavam as palavras. Para louvar o prazer, imaginava-me a adjetivar desatinadamente, desenfreadamente por sempre num fluxo evocativo a urdir sôfrego, ardilosos labirintos verbais.

( Resumindo: minha amiga ao longe gritava fragmentos do poema e depois constatamos o fato irrevogavelmente triste de ter esquecido grande parte dele e até o autor.)

... Aquela luz para sempre no ar no espaço e no tempo, o tempo agora transformado numa concreção de beleza, dada a voz a evocar com exaltação desatada a suave carnadura do poema.

( Felizmente foi resgatado, vários ajudaram minha amiga a re-encontrar. Esta aqui. Isso é tudo.)


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Sexta-feira, Abril 30, 2004  
Soneto do Desmantelo Azul
Carlos Pena filho


Então pintei de azul os meus sapatos

Por não poder de azul pintar as ruas,

Depois, vesti meus gestos insensatos

E colori as minhas mãos e as tuas.



Para extinguir de nós o azul ausente

E aprisionar no azul as coisas gratas,

Enfim, nós derramamos simplesmente
Azul sobre os vestidos e as gravatas.



E afogados em nós, nem nos lembramos
Que na amplidão que havia em nosso espaço

Pudesse haver de azul também cansaço.



E perdidos de azul nos contemplamos

E vimos que entre nós havia um sul

Vertiginosamente azul. Azul

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4:07 PM

Quarta-feira, Abril 21, 2004  


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5:31 PM

Segunda-feira, Abril 12, 2004  
Um lustro depois de fazer 60 anos e após jurar durante décadas que nunca ficaria sentado como um autômato olhando uma tela, pensei: não pode, é a linguagem de nossa época. Transgredi minha intransigência e cheguei em casa com o aparelho. Um sobrinho super inteligente depois de instalar falou não têm nada a aprender, brinquem com o mouse. Seguimos o conselho a risca eu e minha companheira; eu como artista plástico logo baixei o Paint e fui fundo. Em fim a historinha é esta. Passaram-se a partir daí quatro anos desenhando no computador quase diariamente. Fiz milhões de desenhos, muitas vezes nesses percalços misteriosos para mim do computador perdia os arquivos ficava sem internet e sem imagens. Tinha que refazer. Sísifo. A proposta formal que endosso com esta experiência me leva a reviver o objetivo que visava eu na adolescência. Minha obra, noutras técnicas e suportes, obedece à inquietação e a pesquisa seqüente e lógica decorrente da minha longa vida. Os desenhos do computador não, eles são os que fazia as escondidas na adolescência e que meu pai rasgava ao os encontrar.
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8:13 PM

Sábado, Abril 10, 2004  


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5:56 PM

Sábado, Abril 03, 2004  
ESTE TEXTO É HONROSA COLABORAÇÃO DO HOMEM DE CULTURA,TEATROLOGO E MUSISISTA CAIQUE BOTKAY.
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Quarta-feira, Março 31, 2004  
Arte das Mãos

e a mão na massa das letras e das formas



Biografia e Ficção

Partindo do princípio ¿ que considero científico ¿ de que toda biografia é ficcional e toda ficção biográfica, considero que a literatura encontra-se situada no espaço fronteiriço entre uma e outra. Assim, se considerarmos que tudo que fazemos e escrevemos torna-se o que somos ¿ seja no plano supostamente real, seja na mais delirante fantasia ¿, fica mais amena a tarefa de suportarmos duas coisas: biograficamente, a consciência de nossa situação humana ¿ que, convenhamos, trata-se de uma raça sob permanente suspeita por seu desequilíbrio atávico e, ficcionalmente, nossa oscilação exaustiva entre o narcisismo que acha feio o que não é espelho (obrigado, Caetano) e o superego repressor com todo seu arsenal de autopunições, culpas e outras chatices do gênero.

Logo, tudo que escrevemos é terapêutico, de uma lista de compras a uma tese de doutorado. Acredito que o que importa é não nos censurarmos muito, nem tentarmos

equacionar demais a forma e o estilo. Bukowski dizia que tudo é uma questão de estilo. Mas a difícil liberdade de expressão é que me parece o "bom" estilo. Há, claro, o estilo empolado e grandiloqüente. OK, também é estilo, mas obras assim me soam pernósticas e educam mal. Como o falso paradigma de que Shakespeare tem que ser montado de smoking e com uma deferência extremada. Ora, que eu saiba ¿ e andei lendo ¿, o bardo fazia poesia em forma de dramaturgia para um público que ia da aristocracia e da burguesia - estes alojados lá no terceiro andar da platéia -, ao povo inglês, que não difere de nenhum outro: trabalhadores braçais, serviçais, comerciantes, desempregados, bandidos, soldados, loucos e bêbados.

Como diria o Carteiro (de O carteiro e o poeta), a poesia não é de quem a escreve, mas de quem dela necessita.

Voltando ao título Arte das Mãos, o resumo desse papo todo é para chamar a atenção ao imenso espaço entre nossa cabeça e nossas mãos. Estas últimas são provenientes diretamente das cavernas, e têm uma forma muito particular de criar formas, seja nas palavras, seja nos traços, seja nas carícias y otras cositas. O casamento delas (as mãos) com a cabeça é que define o Homem. A utilização do hiperespaço dentro de uma caverna escura é que traduz a modernidade. Só o domínio cyber tecnocrata já é coisa velha, exibicionista. Por outro lado, só utilizar a caverna ancestral nos conduz, mais cedo ou mais tarde, ao manicômio ou à prisão. Então, senhoras e senhores, nosso grande desafio é sacramentar esse casamento entre os nervos, a pele e a alma, e daí fecundar bilhões de auto-espermatozóides culturais. Eles haverão de engravidar o planeta.

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4:05 PM

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